[Livro] Ponto de Impacto – Dan Brown

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Ponto de Impacto é um daqueles livros que você não consegue parar de ler. A cada página, Dan Brown enche a gente de mistérios e surpresas. (E quando as respostas aparecem, dá aquela vontade de jogar o livro lá longe)

Sinopse:

“Quando um novo satélite da NASA encontra um estranho objeto escondido nas profundezas do Ártico, a agência espacial aproveita o impacto da sua descoberta para contornar uma grave crise financeira e de credibilidade. O peso dessa revelação acarreta sérias implicações para a política espacial norte-americana e, sobretudo, para a iminente eleição presidencial.
Com o objetivo de verificar a autenticidade da descoberta, a Casa Branca envia a analista de inteligência Rachel Sexton para a desolada geleira Milne. Acompanhada por uma equipe de especialistas, incluindo o carismático pesquisador Michael Tolland, Rachel se depara com indícios de uma fraude científica que ameaça abalar o planeta.
Antes que Rachel possa falar com o presidente dos Estados Unidos sobre suas suspeitas, ela e Michel são perseguidos por assassinos profissionais controlados por uma pessoa que é capaz de tudo para encobrir a verdade. Em uma fuga desesperada para salvar suas vidas, a única chance de sobrevivência para Rachel e Michael é desvendar a identidade de quem se esconde por trás de uma conspiração sem precedentes.
Com fascinantes informações sobre a NASA, a comunidade de inteligência e os bastidores da política americana, sem falar na polêmica discussão sobre a possibilidade de vida extraterrestre, Ponto de Impacto revela o amadurecimento de Dan Brown como escritor, reunindo todas as qualidades que o transformariam em um fenômeno mundial com seu livro seguinte: O Código da Vinci.”


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[Livro] Fortaleza Digital

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Hoje é dia de falar de livros porque sim, não questionem.

Fortaleza Digital, publicado em1998, é o primeiro livro de Dan Brown, que também escreveu Anjos e Demônios e O Código Da Vinci. É um livro de “ficção científica” com um toque digital, contendo criptografia, códigos secretos e, como sempre, enigmas.

Sinopse – Fortaleza Digital – Dan Brown

Em Fortaleza Digital, Brown mergulha no intrigante universo dos serviços de informação e ambienta sua história na ultra-secreta e multibilionária NSA, a Agência de Segurança Nacional americana, mais poderosa do que a CIA ou qualquer outra organização de inteligência do mundo. 

Quando o supercomputador da NSA, até então considerado uma arma invencível para decodificar mensagens terroristas transmitidas pela Internet, se depara com um novo código que não pode ser quebrado, a agência recorre à sua mais brilhante criptógrafa, a bela matemática Susan Fletcher. 

Presa numa teia de segredos e mentiras, sem saber em quem confiar, Susan precisa encontrar a chave do engenhoso código para evitar o maior desastre da história da inteligência americana e para salvar a sua vida e a do homem que ama. 

Uma corrida desesperada se desenrola paralelamente nos corredores do submundo do poder, nos arranha-céus de Tóquio e nas ruas de Sevilha. É uma batalha de vida ou morte que pode mudar para sempre o equilíbrio de forças no mundo.

Sinopse do site Skoob.com.br

O mais doido é que essa NSA existe mesmo e é responsável pela segurança dos EUA, sendo o mais núcleo de conhecimento em criptologia mundial.

Tem até no site deles uma parte para as crianças tentarem decifrar os códigos, exercitar o cérebro e tudo mais. É bem legal. E fica bem melhor se souber inglês.

http://www.nsa.gov/kids/index.htm


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[Série] Sherlock BBC

Aeeeeeeeeeeeeeeeeew 😀 Bora falar do meu super vício: SHERLOCK HOLMES 😀 😀 😀 😀 (olha a animação da criança)

Sir Arthur Conan Doyle, I FUCKIN LOVE YOU

E eu love os ingleses também, que tiveram a linda ideia de fazer uma série sobre Sherlock Holmes no séc. XXI.

Bom, são 3 episódios de 90 minutos, com 2 temporadas até agora. A terceira tem previsão de começar a ser filmada no início de 2013, para talvez ir ao ar no segundo semestre. Tomara, porque ninguém mais aguenta esperar

Sherlock Holmes nos dias de hoje, celular, internet e tudo mais tecnológico. John Watson e seu blog. E o brilhantismo de Mark Gatiss e Steven Moffat, que conseguiram encaixar perfeitamente Sherlock no contexto atual.

O primeiro episódio da série era para ser o piloto, que tem duração de 60 minutos, só que a BBC resolveu que queria 3 episódios de 90 minutos, então os produtores tiveram que reconstruir o episódio. Eles usaram um diferente diretor e diferentes câmeras também, mudaram alguns cenários e o figurino. A segunda versão ficou bem mais estilosa.

A Study in Pink, The Blind Banker e The Great Game basicamente nos introduzem a Moriarty, que nessa série faz um “trabalho oposto” ao de Sherlock, o de consulting criminal.

A Scandal in Belgravia, The Hounds of Baskerville e The Reichenbach Fall compõem a segunda temporada. Com o primeiro episódio com a participação extraordinária de Lara Pulver interpretando Irene Adler; o segundo, fazendo com que Sherlock “duvide” um pouco de uma de suas maiores habilidades; e o terceiro, o mais esperado, com o encontro entre Sherlock e Moriarty.

Brainy is the new sexy

Brainy is the new sexy

Benedict Cumberbatch e Martin Freeman fazem um ótimo trabalho no papel de Sherlock e John. Andrew Scott é um Moriarty um pouco diferente, comparando com os de outros filmes, mas tão bom quanto ou até mais. Lara Pulver, na minha opinião, a melhor Irene Adler. Mark Gatiss (sim, ele é o co-criador, roteirista e irmão de Sherlock Holmes) como Mycroft Holmes, bem diferente do Mycroft do filme com o Robert Downy Jr. Una Stubbs é uma Mrs. Hudson muito mais presente do que as que estamos acostumados. Rupert Graves, um Inspetor Lestrade que não sabe mais continuar sem a ajuda de Sherlock. Louise Brealey é Molly Hooper, apaixonada por Sherlock, aguentando a frieza e a insensibilidade dele.

Um super elenco, uma super direção. Um verdadeiro sucesso.

Vídeo dahora esse haha.

Bom, felizmente o DVD de Sherlock está à venda aqui no Brasil :D:D:D O DVD da segunda temporada já está em pré-venda claro que eu já comprei o meu e tem previsão de lançamento até o final de novembro (não sei o dia direito). Passarei o natal aproveitando o melhor de Sherlock Holmes em Blu-ray, com uma imagem maravilhosa, tanto por causa da filmagem deles quanto do DVD.

Eeeee, é isso. Sherlock é demais e pronto 😀

Agora vamos falar dos americanos copiões. Fizeram uma série chamada Elementary, sobre Sherlock Holmes nos tempos modernos… Onde será que eu já vi isso? Para ficar ainda melhor, o Sherlock está vivendo em New York e não temos um Dr. John Watson, temos uma Joan Watson. Ta bom, é tudo muito suspeito, colocaram até o cara que trabalhou com o Benedict Cumberbatch para fazer o papel de Sherlock.

Mas falando do show agora. Eu assisti o piloto de Elementary, ou o primeiro episódio, não sei qual é… minhas impressões:

  • Vocês podem tentar, mas nunca conseguirão haha
  • Eles colocaram o John como mulher já pensando que se começasse a ficar chato ou sei lá o que eles poderiam fazer um casalsinho mais agradável;
  • Esse Holmes é bem mais gentil do que o britânico, e também menos sarcástico (o que é uma pena, sarcasmo é ótimo);
  • Joan Watson não voltou da guerra, ela é uma cuzona pessoa que desistiu de ser cirurgiã depois que cometeu um erro e  alguém morreu;
  • Sherlock Holmes é tão viciado a ponto de ir pra rehab, sério produtores?;
  • A minha maior tristeza foi quando eu percebi que colocaram Sherlock Holmes como um filhinho de papai
  • O porquê do Sherlock ter ido para New York é quase inacreditável, eu realmente espero que nos outros episódios eles coloquem alguma coisa mais aceitável nessa história

E até agora é isso, vou tentar ver o segundo episódio para ter certeza se vou querer continuar vendo ou não haha

Mas não precisamos nos preocupar se Elementary é capaz de competir com Sherlock, porque não é. Elementary se parece mais com o seriado Bones, com um leve toque de CSI e Castle. É mais um seriado de drama, de crime, com um detetive famoso. Não tem muita coisa de especial, é um pouco, digamos, óbvio. É um Sherlock Holmes que precisa de Joan Watson como babá, porque o papai que banca ele. Viciado em álcool, sem violino e da Inglaterra é só o sotaque.

Eu acho que uma imagem que resume muito bem essa série é essa:

fuck you elementary

Jonny Lee Miller (Sherlock Holmes) e Lucy Liu (Joan Watson) fazem ótimas atuações, o problema mesmo está é na história.

Como eu disse, eu vou dar mais uma chance para eles, mas só porque eu gosto de Sherlock Holmes e praticamente tudo que involve esse personagem.

Então é isso, assistam Sherlock, comprem os DVD’s, divirtam-se, leiam os livros, sejam bons uns com os outros, dêem água para um cachorrinho de rua e não custa nada dar uma chance para Elementary.


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Sotaque mineiro: é ilegal, imoral ou engorda?

Gente, simplificar é um pecado. Se a vida não fosse tão corrida, se não tivesse tanta conta para pagar, tantos processos — oh sina — para analisar, eu fundaria um partido cuja luta seria descobrir as falas de cada região do Brasil.

Cadê os lingüistas deste país? Sinto falta de um tratado geral das sotaques brasileiros. Não há nada que me fascine mais. Como é que as montanhas, matas ou mares influem tanto, e determinam a cadência e a sonoridade das palavras?

É um absurdo. Existem livros sobre tudo; não tem (ou não conheço) um sobre o falar ingênuo deste povo doce. Escritores, ô de casa, cadê vocês? Escrevam sobre isto, se já escreveram me mandem, que espero ansioso.

Um simples” mas” é uma coisa no Rio Grande do Sul. É tudo menos um “mas” nordestino, por exemplo. O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora?

Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor.

Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.

Mas, se o sotaque desarma, as expressões são um capítulo à parte. Não vou exagerar, dizendo que a gente não se entende… Mas que é algo delicioso descobrir, aos poucos, as expressões daqui, ah isso é…

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: “pó parar”. Não dizem: onde eu estou?, dizem: “ôndôtô?”). Parece que as palavras, para os mineiros, são como aqueles chatos que pedem carona. Quando você percebe a roubada, prefere deixá-los no caminho.

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem — lingüisticamente falando — apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não.

Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro — metaforicamente falando, claro — ele é bom de serviço. Faz sentido…

Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: “cê tá boa?” Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.

Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: — Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).

O verbo “mexer”, para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.

Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:

— Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.

Esse “aqui” é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem “apaixonado por”. Dizem, sabe-se lá por que, “apaixonado com”. Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: “Ah, eu apaixonei com ele…”. Ou: “sou doida com ele” (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.

Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: “E aí, vão?”. Traduzo: “E aí, vamos?”. Não caia na besteira de esperar um “vamos” completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.

Na verdade, o mineiro é o baiano lingüístico. A preguiça chegou aqui e armou rede. O mineiro não pronuncia uma palavra completa nem com uma arma apontada para a cabeça.

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:

— Eu preciso de ir.

Onde os mineiros arrumaram esse “de”, aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam… Você não precisa ir, você “precisa de ir”. Você não precisa viajar, você “precisa de viajar”. Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:

— Ah, mãe, eu preciso de ir?

No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Deus, tenho que explicar tudo. Não vou ficar procurando sinônimo, que diabo. E não digo mais nada, leitor, você está agarrando meu texto. Agarrar é agarrar, ora!

Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará:

— Ai, gente, que dó.

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras. Eu aviso que vá se apaixonar na China, que lá está sobrando gente. E não vem caçar confusão pro meu lado.

Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro “caça confusão”. Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele “vive caçando confusão”.

Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom (acho que dá na mesma), ela, se for jovem, vai gritar: “Ô, é sem noção”. Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o “Ô” no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?

Ouço a leitora chiar:

— Capaz…

Vocês já ouviram esse “capaz”? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer “tá fácil que eu faça isso”, com algumas toneladas de ironia. Gente, ando um péssimo tradutor. Se você propõe a sua namorada um sexo a três (com as amigas dela), provavelmente ouvirá um “capaz…” como resposta. Se, em vingança contra a recusa, você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: “ô dó dôcê”. Entendeu agora?

Não? Deixa para lá. É parecido com o “nem…”. Já ouviu o “nem…”? Completo ele fica:

– Ah, nem…

O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: “Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?”. Resposta: “nem…” Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?

A propósito, um mineiro não pergunta: “você não vai?”. A pergunta, mineiramente falando, seria: “cê não anima de ir”? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem…

Certa vez pedi um exemplo e a interlocutora pensou alto:

— Você quer que eu “dou” um exemplo…

Eu sei, eu sei, a gramática não tolera esses abusos mineiros de conjugação. Mas que são uma gracinha, ah isso lá são.

Ei, leitor, pára de babar. Que coisa feia. Olha o papel todo molhado. Chega, não conto mais nada. Está bem, está bem, mas se comporte.

Falando em “ei…”. As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o “ei” no lugar do “oi”. Você liga, e elas atendem lindamente: “eiiii!!!”, com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade…

Tem tantos outros… O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.

Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar:

— Ah, fui lá comprar umas coisas…

— Que’ s coisa? — ela retrucará.

Acreditam? O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.

Ouvi de uma menina culta um “pelas metade”, no lugar de “pela metade”. E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:

— Ele pôs a culpa “ni mim”.

A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas… Ontem, uma senhora docemente me consolou: “preocupa não, bobo!”. E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: “não se preocupe”, ou algo assim. A fórmula mineira é sintética. e diz tudo.

Até o tchau. em Minas. é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: “tchau pro cê”, “tchau pro cês”. É útil deixar claro o destinatário do tchau. O tchau, minha filha, é prôcê, não é pra outra entendeu?

Deve haver, por certo, outras expressões… A minha memória (que não ajuda muito) trouxe essas por enquanto. Estou, claro, aberto a sugestões. Como é uma pesquisa empírica, umas voluntárias ajudariam… Exigência: ser mineira. Conversando com lingüistas, fui informado: é prudente que tenham cabelos pretos, espessos e lisos, aquela pele bem branquinha… Tudo, naturalmente, em nome da ciência. Bem, eu me explico: é que, características à parte, as conformações físicas influem no timbre e som da voz, e eu não posso, em honrados assuntos mineiros, correr o risco de ser inexato, entendem?

                                                 Carlos Drummond de Andrade


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Contos – Luis Fernando Veríssimo

Códigos

“Dona Paulina ensinou à sua filha Rosário que cada ponto do rosto onde
se colocasse uma pinta tinha seu significado. Na face, sobre o lábio, num
canto da boca, no queixo, na testa… A pinta, bem interpretada, mostrava
quem era a moça, e o que ela queria, e o que esperava de um
pretendente. O homem que se aproximasse de uma moça com uma pinta

— numa recepção na corte ou numa casa de chá — já sabia muito sobre
ela, antes mesmo de abordá-la, só pela localização da pinta. A três metros
de distância, o homem já sabia o que o esperava. A pinta era um código,
um aviso — ou um desafio.
Anos depois, dona Rosário ensinou à sua neta Margarida que a
maneira de usar um leque dizia tudo sobre uma mulher. Como segurá-lo,
como abri-lo, sua posição em relação ao rosto ou ao colo, como abaná-lo,
com que velocidade, com que olhar… Só pelos movimentos do leque uma
mulher desfraldava sua biografia, sua personalidade e até seus segredos
num salão, e quem a tirasse para dançar já sabia quais eram as suas
perspectivas, e os seus riscos, e o seu futuro.

Muitos anos depois, a Bel explicou para a sua bisavó Margarida
que a fatia de pizza impressa na sua camiseta com “Me come” escrito em
cima não queria dizer nada, mas que algumas das suas amigas usavam a
camiseta sem a fatia de pizza.”

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Olha, e isso continua até hoje ein haha, é capaz de piorar hm


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Livro: Fernão Capelo Gaivota

De Richard Bach

Então eu falei que ia começar a falar de livros agora e esse é o primeiro.

Não vou fazer nenhum tipo de resenha nem nada (oficialmente), vou mais falar o que eu acho e tals.

“Para as pessoas que inventaram as suas próprias leis quando sabem ter razão;
para as que têm um prazer especial em fazer coisas bem feitas, nem que seja só para elas;
para as que sabem que a vida é algo mais do que aquilo que os nossos olhos vêem…
Fernão Capelo Gaivota é uma história com sentido.
Para todas as outras, ela será na mesma uma aventura sobre a liberdade e o voo para além de limites provisórios.”

Tipo, Fernão Capelo Gaivota é uma gaivota (hm) que não vê graça na vida normal das gaivotas. Essa vida normal seria somente voar para capturar comida, pra sobreviver mesmo.

Ele quer se superar, quer aproveitar o vôo dele, quer saber o que mais ele pode fazer.

E isso é o que ta faltando nos dias de hoje. As pessoas estão muito acomodadas, não fazem nada para se superar, e depois ficam reclamando.

E com isso ele descobre que não é a única gaivota que quer saber das maravilhas do voo. E ainda acaba ajudando outras nisso.

Então, o livro é muto bom, leiam. Faz bem pra saúde, deixa você mais inteligente e é uma boa distração.

Se for beber, não dirija.


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